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Entrevista

Tamara Klink

por Humanos
30 de outubro de 2025
/ Número 7
Tamara Klink

Foto: Acervo pessoal

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A

Revista Humanos tem o prazer de apresentar uma entrevista exclusiva com Tamara Klink, velejadora e escritora brasileira que, aos 24 anos, tornou-se a mais jovem brasileira a cruzar o Oceano Atlântico sozinha e, desde então, vem utilizando suas experiências no mar para pensar temas como interdependência ecológica, tecnologia, percepção e isolamento.

Nesta conversa, Tamara aborda aspectos fundamentais das interações oceânicas, com ênfase na impossibilidade de dissociar o humano do mundo natural. A partir de sua vivência no Ártico, ela reflete sobre a fragilidade do corpo humano, o papel da tecnologia na mediação com o ambiente e os limites entre autonomia e interconexão.

A entrevista também explora como a ausência de comunicação em alto-mar transforma a percepção de si e do outro, e as tensões entre solidão, escuta e o pensamento contemporâneo sobre conexão digital. Tamara discute ainda o papel das mulheres em espaços historicamente dominados por homens e o impacto das mudanças climáticas nos ecossistemas marinhos.

Sua visão amplia a proposta desta edição, que investiga as interações entre oceanos, sociedades e formas de vida. Ao narrar suas travessias – físicas, éticas e simbólicas – Tamara nos convida a refletir sobre o futuro do planeta e sobre os vínculos que nos ligam, de forma visível e invisível.

BIOGRAFIA

Tamara Klink é arquiteta, escritora e navegadora. Graduada pela Escola Nacional Superior de Arquitetura de Nantes (França), tornou-se, aos 24 anos, a mais jovem brasileira a cruzar o Oceano Atlântico em solitário. Desde então, realizou diversas travessias oceânicas, incluindo o Mar do Norte e o Ártico, onde completou, em 2024, uma invernagem solo de oito meses na Groenlândia – a primeira feita por uma mulher de que se tem registro.

Autora de quatro livros publicados no Brasil, desenvolve projetos que articulam literatura, ciência, tecnologia e meio ambiente, com ênfase nas interações entre corpo, território e autonomia em contextos extremos. Seus relatos e ensaios foram publicados por instituições como a UNESCO e pela revista francesa Voiles et Voiliers.

Tamara também participa de iniciativas de sensibilização ambiental, com foco na crise climática e na saúde dos oceanos, e atua como palestrante em eventos nacionais e internacionais.

Em suas travessias, como você percebe a relação entre o ser humano e o não humano? Houve algum momento ou experiência específica que tenha transformado sua visão sobre essa conexão? Você encontrou alguma reflexão filosófica ou antropológica sobre a natureza da existência e da sobrevivência?

Não é possível separar o humano da natureza do qual ele faz parte. Como os outros animais, a gente nasce, come, sente, envelhece e um dia vai morrer. Todas as vidas são todas mantidas por vidas de outras espécies por meio da alimentação. A vida nunca acaba, ela só muda de dono.

Foto: Acervo pessoal

No contexto de suas viagens e das tecnologias que você utiliza a bordo, como você vê a interação entre tecnologia e natureza? De que forma a tecnologia impacta suas experiências e sua percepção dos ambientes que você vivenciou?

A tecnologia (técnicas, métodos e instrumentos humanos pra fazer atividades) serve para nós compensarmos as lacunas, fraquezas e limites dos nossos corpos.

Os objetos me permitiram viver em lugares onde a vida humana seria impossível sem eles. Na banquisa, durante o inverno da Groenlândia, quando fazia –40°C com neve e com vento, eu sabia que não sobreviveria mais de um dia sem casacos, botas e utensílios para derreter água e para buscar comida. Nesse mesmo ambiente, as raposas, lebres e focas caçam e criam seus filhotes usando apenas o próprio corpo.

“A armadilha da minha geração é buscar e acumular tantos objetos que passamos a servi-los em vez de fazê-los nos servir.”

Você acredita que suas aventuras ajudam a promover o diálogo sobre o papel das mulheres em campos tradicionalmente dominados por homens? Quais são as principais diferenças de cobranças e desafios que você enfrentou ao longo de sua jornada?

Eu sou muito grata por nascer nesse tempo e poder desfrutar de tantas portas abertas pelas mulheres que vieram antes de mim. Fazer essa viagem só foi possível graças a elas que questionaram normas e se arriscaram para poder navegar e trabalhar a bordo, e também graças aos homens que se aliaram à busca por equidade de gênero.

Apesar de muitas evoluções, eu, assim como muitas mulheres, fui exposta a desencorajamento sistemático, invalidação e discursos protetores como: “não vai, é perigoso demais pra uma mulher”, “olha como seus braços são fracos comparados aos dele”, “vai te faltar um homem”, “se souberem que você está sozinha vão te estuprar”. Através dessas falas, às vezes bem-intencionadas, somos mais incentivadas a nos trancar dentro de gavetas do que a nos expor e conhecer nossas capacidades. Essas falas nos fazem perder muito tempo e energia que poderíamos usar para atividades mais úteis como nos preparar e avançar.

Todas as mulheres que contestam os estereótipos limitantes de gênero e a imposição da domesticidade deixam para as nossas sucessoras mais oportunidades e mais liberdade.

Foto: Acervo pessoal

Durante suas viagens, você teve acesso limitado a redes sociais e comunicação com o mundo exterior. Como essa desconexão forçada influenciou sua percepção sobre a sociedade moderna e a necessidade de conexão humana em um mundo cada vez mais digitalizado?

Eu levei um aparelho (Iridium) que me permitia apenas trocar e-mails com pessoas próximas, como se fossem cartas. Ao longo dos oito meses da viagem, escrevi diários para a artista plástica Maria Klabin, que reagiu aos textos fazendo pinturas. A produtora Cecília Pompéia recebeu os diários e pinturas e publicou alguns deles nas redes sociais, acompanhados de vídeos que fiz antes de partir.

Como eu vivia sozinha e não tinha retorno sobre esses diários, ninguém discordava do que eu pensava ou escrevia. Rapidamente, meus pensamentos podiam se tornar extremos e hoje vejo que isso poderia ser perigoso. É parecido com o que acontece nas redes sociais: buscamos apenas as ideias com que concordamos e completamos os vazios das ideias diferentes com os nossos preconceitos. Pensamos ter sempre razão e queremos sempre estar certos, e lidamos mal com as opiniões contrárias que são necessárias para nossa evolução.

Agora estou navegando em dupla, e está sendo muito positivo saber que muitas vezes estou errada.

 

Em uma entrevista, você mencionou que teve a impressão de que “o oceano não é líquido, é como uma cola, um vínculo entre as espécies”. Pode elaborar mais sobre essa perspectiva? Como essa visão se relaciona com suas experiências pessoais e o impacto que isso tem sobre sua compreensão da interconexão entre os seres humanos e o ambiente marinho?

“A separação de humano e natureza é a mentira que autoriza excessos e coloca em risco muitas espécies do nosso planeta, inclusive a nossa. Todas as nossas ações na terra têm impactos no mar, e esses impactos têm efeitos diretos em humanos.”

Por exemplo: a emissão excessiva de gás carbônico por queima de combustíveis fósseis é o maior responsável pelo derretimento da banquisa polar e das geleiras, pelo aumento do nível do mar e pela acidificação do oceano.

Banquisa: A banquisa polar (mar congelado) é branca e é um grande refletor de raios solares nos polos do planeta. Ela funciona como um para-sol e ajuda a “resfriar” o planeta. Com os aumentos de temperatura, ela está derretendo e o mar escuro passa a absorver mais calor e esquenta mais ainda, e os polos param de ser “resfriadores” e passam a aquecer também o planeta.

Geleiras: As geleiras são grandes estoques de água doce. Quando derretem, a água forma grandes rios desembocando no mar. Esse grande fluxo de água doce é capaz de enfraquecer correntes marítimas, e alterar o clima nos continentes, tornando os invernos mais frios e os verões mais quentes. Isso também interfere na rota de animais e aumenta o nível do mar, colocando em risco a segurança alimentar e doméstica de muitas pessoas que se alimentam de peixes e moram perto do mar.

Acidificação: O oceano também absorve 28% do gás carbônico emitido na atmosfera. Com mais gás carbônico, o mar fica mais ácido e os crustáceos e corais não conseguem formar suas conchas e estruturas. Isso põe em risco a principal fonte de alimento de muitas espécies e de milhões de humanos.

A solução mais rápida e mais eficaz de resolver esse problema é descarbonizar, frear as emissões de gás carbônico.

A boa notícia é que não é tarde demais, e quanto mais reduzirmos as emissões, melhor será o quadro dos próximos anos. O voto, a responsabilização das empresas, as leis e nossas ações individuais e coletivas são muito importantes nisso. A continuidade da nossa espécie nos próximos séculos é totalmente dependente da saúde do oceano e das escolhas que fizermos agora.

Foto: Acervo pessoal

Você é escritora e já explorou temas diversos em seus livros. Entrevistamos anteriormente Sidarta Ribeiro sobre o tema dos “sonhos” e ficamos intrigados com o seu diário dos sonhos. Como foi essa experiência de escrita? E de que maneira suas experiências recentes influenciam sua visão sobre a interseção entre arte, ciência e tecnologia?

Todos os dias eu anotava os sonhos e escrevia diários. Ao longo dos meses, percebia que os sonhos anteriores tinham traduzido melhor o momento que eu vivia do que os próprios diários descritivos. Porque enquanto os diários traziam fatos, os sonhos traziam questões. Por exemplo: no início do inverno, os sonhos traziam o medo de ter escolhido o lugar errado e questionavam se eu devia confiar nos conselhos dos outros. No meio do inverno, eu sonhava com animais e com pessoas que me perguntavam onde eu morava e eu não conseguia responder. Nos sonhos do fim do inverno, eu continuava a preparar o barco para começar a viagem como se não tivesse me dado conta que o inverno e a viagem tinham chegado ao fim.

O único sentido de viver é sentir. Sentir usando os sentidos do corpo pelo tempo que ele durar. A única maneira de prolongar a vida é melhorar outras vidas. Acredito que a arte, a ciência e a tecnologia devem servir para nos ajudar nisso.

 

OBRAS DA AUTORA

Nós: O Atlântico em solitário

Em 2021, em plena pandemia, a navegadora Tamara Klink partiu da França com o objetivo de chegar até a costa brasileira pelo mar. Nessa empreitada ambiciosa, contou apenas com a companhia permanente de seu caderno e do barco, Sardinha. A distância, teve o apoio (e também a preocupação) constante da família, dos amigos, de Henrique – conselheiro de primeira hora –, e dos admiradores nas redes sociais, que seguiram a viagem praticamente em tempo real.

Em meio a vitórias, fracassos, temores e desvios de percurso, este livro nos convida a embarcar numa jornada corajosa, feita de deslocamentos físicos, mas sobretudo de impressionantes superações psicológicas.

 

 

 

Mil Milhas

A preparação foi longa. Durou precisamente 24 anos para que a jovem Tamara Klink se descobrisse finalmente preparada para a partida para a sua primeira viagem em solitário, da Noruega até a França, no pequeno e recém-adquirido veleiro a que chamou Sardinha, o passo inaugural na direção do sonho de tornar-se uma navegadora. Foi o tempo de crescer, de entender e acalentar seus próprios sonhos e tomar suas decisões, ir e voltar graças a seu próprio desejo. Estar distante da família para entender-se parte dela. O livro mistura relatos de viagem, poemas e desenhos que revelam a intimidade e os desafios dessa viagem que, embora planejada, trouxe enormes desafios e aprendizados para a velejadora.

 

 

 

Um mundo em poucas linhas

Tamara tem um projeto de vida: ser navegadora. Leva consigo a coleção de aprendizados de várias viagens com a mãe, irmãs e na companhia do pai, o velejador Amyr Klink. Mas segue passos próprios. Aos 20 e poucos anos, decidiu morar e estudar arquitetura naval na França, como parte do seu plano: realizar expedições que exigem uma preparação incomum para alguém da sua idade. E é justamente essa longa travessia que está presente em sua obra – não só aquela marcada por ondas e ventos, necessidade de içar velas ou de se lançar ao mar – mas os percalços de outro caminho, aquele que fazemos da adolescência para a vida adulta. Uma jornada heroica pela qual todos passamos, na terra ou no mar. Um mundo em poucas linhas reúne poemas e textos em prosa poética sobre as viagens variadas que Tamara fez desde criança com sua família, além de reflexões sobre a vida, a adolescência, os amores, o crescimento e as muitas experiências de deslocamento e travessias. Um livro sobre a beleza de se construir como ser humano, com liberdade, alegria e coragem para viver e seguir seus próprios caminhos.

 “A armadilha da minha geração é buscar e acumular tantos objetos que passamos a servi-los em vez de fazê-los nos servir.

 “A separação de humano e natureza é a mentira que autoriza excessos e coloca em risco muitas espécies do nosso planeta, inclusive a nossa.

 “O único sentido de viver é sentir. Sentir usando os sentidos do corpo pelo tempo que ele durar. A única maneira de prolongar a vida é melhorar outras vidas. Acredito que a arte, a ciência e a tecnologia devem servir para nos ajudar nisso.

Tags: ArquitetaÁrticoAutoraCiênciaEscritoraGroenlândiaInterdependência ecológicaLiteraturaMar do NorteMeio ambienteOceano AtlânticoSensibilização ambientalTamara KlinkTecnologiaVelejadora
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