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Futuros

MAR ABERTO

por ANA PAULA SIMONACI VALENTIM
30 de outubro de 2025
MAR ABERTO

Ilustração: Karipola

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O

mar é vasto. Imenso. Eu sempre penso no mar como algo que nunca se acaba. Como o inconsciente. Um oceano onde as águas não podem ser tocadas, mas nos tocam. O mar é esse lugar de segredos guardados, de medos que parecem eternos e de desejos que se escondem nas correntes. Somos todos navegantes, sem mapa, tentando encontrar a nossa própria linha de chegada. E, às vezes, é olhando para histórias de quem se lançou ao mar de verdade que conseguimos enxergar o que significa, de fato, atravessar o desconhecido. Histórias de coragem em mar aberto nos lembram que o enfrentamento das águas lá fora se parece muito com o enfrentamento das nossas águas internas.

Tamara Klink, navegadora solitária, se lançou ao Ártico, onde enfrentou as extremas condições de gelo e isolamento durante oito meses. Mas não era uma fuga, e sim um mergulho profundo em si mesma. E eu me pergunto: quantos de nós conseguimos nos lançar assim? Não em um sentido físico, mas no silêncio de nossos próprios pensamentos? O que Tamara fez foi um convite. Um convite a parar, a se recolher, a se lançar sem medo para dentro de si, sem as distrações de um mundo que exige respostas rápidas, que se recusa a nos deixar em paz com o que realmente somos.

Outra história inspiradora é a das irmãs Mardini. Talvez você não as conheça, mas a história delas é um exemplo gritante de coragem e superação. Yusra e Sara Mardini são refugiadas sírias que, em 2015, fugiram da guerra civil em seu país. Durante a travessia do Mar Egeu, em um bote inflável superlotado e prestes a afundar, elas tomaram uma decisão que se tornou um símbolo de resiliência. Elas saltaram para as águas geladas e nadaram ao lado do bote até alcançar a costa da Grécia, salvando a vida de dezenas de refugiados, incluindo a delas mesmas. Sua história se tornou um retrato do que é enfrentar as adversidades extremas e seguir em frente, mesmo quando tudo parece perdido.

As irmãs Mardini não só desafiaram o oceano, mas desafiaram a morte, encontrando uma força que, até então, desconheciam. O oceano, para elas, era tanto o perigo quanto a salvação. E, para nós, é um lembrete do que somos capazes de suportar quando nos vemos em situações além do nosso controle. O oceano não é só o que vemos à nossa frente. Ele é o que carregamos dentro de nós. E, para atravessá-lo, precisamos olhar para ele, sem medo, com a coragem silenciosa daqueles que sabem que o oceano nos testa, mas também nos ensina a seguir em frente, mesmo quando o caminho parece incerto.

O mar aberto, em sua vastidão que nos assusta e nos atrai ao mesmo tempo, nos leva ao desconhecido, ao que não podemos controlar, e, ao mesmo tempo, ao que devemos abraçar. Porque, no fundo, tanto o mar quanto o inconsciente são territórios de profundidade e mistério – lugares que exigem coragem para serem explorados. E, se tivermos essa coragem, podemos encontrar neles não apenas os nossos medos, mas também as nossas respostas. Aquilo que nos completa. Aquilo que nos cura.

Foto: Acervo pessoal

Ana Paula Simonaci Valentim

Ana Paula Simonaci Valentim é pesquisadora que se interessa tanto no que preservamos do passado quanto pelas inovações que projetam o futuro. Doutora e mestre em memória social pela UNIRIO, atualmente realiza pós-doutorado investigando as relações entre cartunistas, patrimônio e imprensa, e como essas forças moldam nossas memórias e constroem futuros. É curadora da Revista Humanos, dedicada a cruzamentos entre arte, ciência e tecnologia, onde também assina a coluna Futuros, espaço de reflexão sensível sobre os tempos que virão – e os rastros que deixamos neles.

 

Tags: Ana Paula Simonaci ValentimFuturosMarOceanoPesquisadoraSegredos guardadosTamara Klink
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