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Um DOIS

O RIO É A MEMÓRIA DO MAR

COMO A ARTE PODE REFLETIR E PRESERVAR A MEMÓRIA DOS OCEANOS E RIOS?

por Margem do Rio
30 de outubro de 2025
/ Número 7
DÉCADA DOS OCEANOS
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O Rio é a memória do mar

Margem do rio

Um jirau, espécie de mesa artesanal com as forquilhas fincadas no chão, um montante de roupas sujas em cima, sabão em barra, um sol no céu queimando as costas de uma lavadeira de roupa às margens do Rio Amazonas. Essa cena é comum para mim durante toda a travessia que faço para chegar ao Quilombo da Passagem, onde minha avó e meus tios ainda moram, localizado no estado do Pará, distante duas horas do município de Santarém. São nessas margens que diversas comunidades constroem todos os dias suas culturas, seus afazeres, suas devoções, suas paixões, seus desejos e suas histórias marcadas no espaço-tempo do mundo. Nas beiras de água que se encontram modos de vida que suspendem o céu, mesmo sem saberem de tais noções, hoje difundidas cada vez mais no modo de vida ocidental.

São, também, nessas margens e nessas populações que me inspirei e me inspiro para fazer arte, são esses locais que o Margem do Rio nasceu, no intervalo da partida e da chegada, eis que encontrei uma espécie de vácuo, que longe do significado de ausência, mas perto do significado de vidas-potências, a disposição em fazer leituras das margens e dos seus cursos de água. Todas essas viagens me levam a entender como a água dita a vida e água, mais do que um bem comum, é um depósito de memórias, é uma contadora de histórias, é o vai e vem das mudanças causadas pelo ser humano, é o reflexo do nosso corpo-natureza, é o princípio da vida e também o princípio de seu fim. É o que permite o ciclo da água, é o que podemos enxergar como um significado novo de utilidade. Longe de agenciar o que as águas falam e desejam, meu trabalho é colocar em diálogo e expor a posição marginal em que as águas e nós, seus povos, estão situados. A arte em seu papel político, social, econômico e abstrato, pedindo colaboração às águas.

Se uma história começa com a apresentação dos personagens e contextos de vida, é na história da vida humana que nossos parentes Rios começam a se apresentar e a quem devemos saudar. A hidrografia do Brasil será o mapa dos nossos sonhos colocados dentro d’água, seja no pulo em igarapés, seja no mergulho no mar, seja no chuá das cachoeiras.

Portanto, temos pouco tempo para ouvir as memórias das águas. Entender o que é mar e o que é rio, suas confluências e o que os povos das águas dizem para termos mais tempo para pisar nesse chão. E de quais maneiras iremos juntos parar de devorar o planeta, de colapsar sistemas hídricos e de usar a criação potente que a arte nos dá com suas ferramentas, a partir dos territórios.

Depois de deixarem as nascentes, essas águas serão tocadas por tantos corpos e pensamentos, que serão preenchidas com muito mais vida, e ao chegarem ao oceano, será incontável a quantidade de histórias para o mar. O rio será a memória do mar, e o mar o repouso da memória inquieta, enquanto não fizerem seu caminho de retorno. Está tudo na margem.

Ilustração: Karipola

O AUTOR

Foto: Tayná Uràz

Margem do Rio

Amazonense, farmacêutico, artista visual e ativista nas causas socioambientais. Atualmente, é pós-graduando em Antropologia Social na Universidade Federal do Amazonas, estudando Encantarias no Baixo Amazonas. Idealizador do Margem do Rio, projeto visual de interlocução das memórias dos povos amazônicos em determinadas regiões, trazendo as narrativas marginais como potências para o mundo.

Tags: AmazonenseMarcio HarumMargem do RioOCEANOSRIOSUm DOIS
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