A cada edição, um tema fascinante é apresentado ao leitor por meio de dez curiosidades surpreendentes. Prepare-se para descobrir fatos curiosos, histórias inesperadas e dados instigantes, todos ilustrados de maneira a dar vida a cada descoberta.
- O oceano é o lar dos gigantes. Entre os maiores animais do planeta, destacam-se a baleia-azul, que pode atingir até 30 metros de comprimento, e o tubarão-baleia, que pode alcançar 12 metros. Estes são alguns dos vertebrados mais impressionantes, mas os invertebrados também têm seus gigantes. Exemplos notáveis incluem a água-viva gigante, o polvo-gigante do Pacífico e a lula-gigante, cujos tamanhos variam de 2 a 14 metros. Esses majestosos seres marinhos revelam a imensidão e a diversidade fascinante do oceano.
- Tamanho é documento? Não se pode esquecer da importância das miudezas dos oceanos. Os organismos do plâncton, por exemplo, além de minúsculos, muitas vezes são translúcidos, mas de uma importância muito bem-delineada. O fitoplâncton realiza fotossíntese e é a principal fonte de alimento para o zooplâncton. Este, por sua vez, alimenta peixes, crustáceos e diversos outros organismos marinhos, formando uma rede alimentar que sustenta toda a vida no oceano.
- Outros pequenos animais também exibem grande relevância, não só servindo como alimento para outros animais. Os moluscos bivalves e esponjas, por exemplo, atuam na filtragem da água. Os poliquetas, também conhecidos como vermes marinhos, ajudam na aeração do solo. Os equinodermos, que incluem as estrelas-do-mar, ouriços-do-mar, pepinos-do-mar entre outros, atuam na redistribuição de sedimentos do fundo do oceano. Os corais (ah… os corais) merecem um tópico só para eles.
- Os corais são invertebrados marinhos, frequentemente confundidos com rochas, mas são organismos vivos que se alimentam e se reproduzem como os demais. Eles formam os recifes de corais, os ecossistemas mais importantes e biodiversos do planeta. Eles funcionam como grandes “condomínios” marinhos: oferecem vários microespaços para diversas espécies viverem, se reproduzirem, se alimentarem e se protegerem de predadores. No entanto, os recifes de corais estão entre os ecossistemas mais ameaçados devido à exploração de recursos e à poluição. Esses fatores podem causar acidificação dos oceanos, aumento da temperatura, branqueamento dos corais e sua morte, resultando na perda desse habitat vital.
- No oceano há florestas submersas, como as florestas de algas, ou kelps, e os jardins de gramíneas, ou seagrass. Elas fornecem alimento, abrigo e locais de reprodução para diversas espécies, filtram e melhoram a qualidade da água, absorvem grandes quantidades de carbono e ajudam a regular a temperatura da água.
- Falando em vegetais marinhos, os mangues são ecossistemas formados por árvores adaptadas a altas salinidades. Capturam cinco vezes mais carbono do que as florestas terrestres e abrigam cerca de 1.500 espécies de seres vivos. Também protegem as costas contra a erosão, oferecem abrigo e alimentação para várias espécies marinhas e promovem a filtração de água e sedimentos.
- Não se pode esquecer a importância da diversidade marinha para o sustento das comunidades costeiras. No Brasil, muitas comunidades tradicionais dependem da pesca artesanal para garantir sua alimentação e recursos. Exemplos incluem pescadores artesanais, comunidades caiçaras, comunidades quilombolas litorâneas e comunidades indígenas. Essas populações sofrem diretamente com os desafios ambientais relacionados aos oceanos e desempenham um papel crucial na promoção da sustentabilidade e conservação do ambiente marinho.
- Além de ser uma fonte de recursos alimentares, o oceano é uma farmácia gigante. Os seres marinhos fornecem bioativos com potenciais terapêuticos e aplicações em tecnologias médicas. Pesquisas com anêmonas-do-mar, peixes, esponjas, corais, lulas, águas-vivas e outras espécies já mostraram que esses organismos podem ser utilizados no desenvolvimento de antibióticos, antivirais, anti-inflamatórios, tratamentos para doenças neurodegenerativas e muito mais.
- Há uma parte do oceano pouco explorada: o oceano profundo. É lá que vivem os seres mais peculiares. Os organismos desta zona têm adaptações para enfrentar condições extremas, como alta pressão, baixas temperaturas, escuridão e predação. Exemplos dessas adaptações incluem: bioluminescência para atração e defesa; corpos flexíveis e baixa densidade óssea para suportar a pressão; camuflagem e mimetismo para evitar predadores; estruturas para sua proteção, como espinhos; e proteínas térmicas para regular a temperatura corporal.
- Por último e não menos importante: estamos na década do oceano. A Organização das Nações Unidas (ONU) determinou o período de 2021 a 2030 como a “Década das Ciências Oceânicas para o Desenvolvimento Sustentável”. Um projeto mundial focado em promover ações como sensibilização e conscientização, pesquisas, inovação e parcerias em prol da conservação das espécies marinhas e melhora da qualidade de vida das pessoas.
FONTES
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QUEM É A AUTORA?
ALESSANDRA ARAÚJO
Alessandra Araújo é bióloga, formada pela Universidade Federal de Viçosa, em Minas Gerais, onde atualmente está cursando mestrado em Biologia Animal. Atua no Laboratório de Evolução de Invertebrados Aquáticos, onde investiga as interações entre hidrozoários marinhos e outros organismos, como corais, algas e moluscos. Com um entusiasmo contagiante pelo oceano, Alessandra é profundamente apaixonada pela biodiversidade marinha e tenta trazer um pouco dos oceanos para o interior de Minas Gerais.
FIQUE POR DENTRO
Saiba mais sobre palavras que podem parecer difíceis ou até ser conhecidas, mas cujos significados, muitas vezes, nos escapam. Trazemos explicações claras e interessantes para termos utilizados no dossiê que merecem uma atenção especial, ajudando você a expandir seu vocabulário e compreensão.
PLÂNCTON
(FITOPLÂNCTON E ZOOPLÂNCTON)
Plâncton é o nome dado ao conjunto de pequenos organismos que flutuam na água e são a base da cadeia alimentar marinha. O fitoplâncton é composto por microalgas que fazem fotossíntese, produzindo oxigê-nio e servindo de alimento para o zooplâncton, que é formado por pequenos animais microscópicos. Jun-tos, sustentam ecossistemas inteiros, alimentando desde pequenos peixes até grandes baleias.
SEAGRASS
(GRAMÍNEAS MARINHAS)
São plantas aquáticas que vivem submersas em águas rasas, formando verdadeiros jardins subaquáticos. As seagrasses fornecem abrigo e alimento para muitas espécies marinhas, ajudam a estabilizar o solo do fundo do mar, melhoram a qualidade da água e capturam carbono, contribuindo para o equilíbrio climáti-co.
RECIFES DE CORAIS
Os corais são animais marinhos que vivem em colônias e constroem estruturas calcárias chamadas de recifes. Esses recifes formam alguns dos ecossistemas mais biodiversos do planeta, servindo de abrigo, alimentação e reprodução para milhares de espécies. No entanto, estão sob grave ameaça devido ao aque-cimento das águas, poluição e acidificação dos oceanos.
CAIÇARAS
São comunidades tradicionais do litoral brasileiro, descendentes de indígenas, africanos e europeus. Os caiçaras mantêm modos de vida estreitamente ligados ao mar, com práticas sustentáveis de pesca, cultivo e uso da biodiversidade costeira. Seu conhecimento ecológico é fundamental para a conservação dos am-bientes marinhos e costeiros.











