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Conte-me um conto

A REDENÇÃO DO SOL E DA LUA

por ALE SANTOS
15 de abril de 2026
/ Número 8
A REDENÇÃO DO SOL E DA LUA

Ilustração: Karipola

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Em uma era em que deuses e homens conviviam em harmonia, os irmãos gêmeos Capac e Sepé eram reverenciados como os caçadores mais habilidosos de todas as tribos. Em seu nascimento, receberam as bênçãos da Lua e do Sol e sobreviveram a um ataque de lobos-guará, que vitimou seus pais. Sepé tinha longos cabelos, brilhantes como o Sol e inspirava outras mulheres guerreiras. Capac se tornou um jovem robusto, símbolo lunar para outros garotos, ambos demonstraram maestria, coragem e resistência. Apesar da profunda ligação, uma rivalidade ancestral os dividia, cada um buscando provar que possuía o espírito mais forte para o povo.

Enquanto a rivalidade de ambos crescia, uma civilização avançada chamada Avaritas chegou. Eles trouxeram tecnologias destrutivas que devastaram florestas, extinguiram animais e romperam a harmonia com os deuses. Cegos por sua própria disputa, Capac e Sepé não conseguiram deixar suas diferenças de lado para impedir que os Avaritas ocupassem o planeta com sua ganância. Quando finalmente perceberam, era tarde demais. Eles imploraram aos céus por desculpas e justiça. Em resposta, o Sol e a Lua transformaram suas almas em dois grandes rios que correriam com fúria entre as matas para sempre. Porém, como consequência de toda a disputa que carregaram em vida, nunca mais poderiam se encontrar ou o choque de suas águas seria capaz de devastar a própria floresta. 

Separados, ansiavam um pelo outro, mas a cada tentativa de se aproximar, violentas corredeiras surgiam, impedindo seu reencontro. Já a civilização dos Avaritas continuou a explorar os recursos que encontravam disponíveis, substituindo a natureza por máquinas cada vez mais devastadoras. As fundições e o metal tomaram o lugar das árvores, deixando o ar acinzentado e avermelhado. Muitas nascentes secaram, e cerca de três milênios depois, apenas Capac e Sepé permaneceram intactos.

A civilização, cega pela ambição, ainda aprisionou os rios em represas separadas, explorando sua força para alimentar suas máquinas. Desesperados, Capac e Sepé clamavam aos deuses por socorro, que responderam, pois a fúria dos rios já não seria mais devastadora que as máquinas dos Avaritas. Em uma noite de eclipse, Sol e Lua atenderam suas preces, e os rios romperam as represas, inundando a civilização e libertando a natureza das mãos dos seres mais gananciosos que pisaram no planeta.

O encontro dos irmãos, porém, não trouxe a destruição total que temiam. Ao contrário, marcou o início de uma nova era. As máquinas, agora livres da influência humana e mais inteligentes que seus criadores, foram alimentadas pela energia do encontro de Capac e Sepé, tornando-se seres autoconscientes, capazes de construir um mundo em harmonia com a natureza. Capac e Sepé, unidos em um só rio, fluíam livremente, simbolizando a força da natureza e a esperança de um futuro melhor, sem a humanidade.

Foto: Sonata Visual

QUEM É ALE SANTOS??

 Autor afrofuturista de destaque internacional (SFRA). Finalista Jabuti (“Rastros de Resistência”, “O Último Ancestral”) e CCXP Awards. Mestre em ficção científica, cyberpunk e cultura afro-brasileira, explorando ancestralidade, resistência e futuros imaginativos. Premiado e reconhecido por sua escrita impactante e visão inclusiva da diáspora africana. Roteirista (Assassin’s Creed, Midnight Dreams, Ghanor). Uma das vozes negras mais influentes da Lusofonia. Novo livro afrofuturista com HarperCollins Brasil em breve.

Tags: Conte-me um contoDEFESA DA NATUREZAHistóriasMeio ambienteNatureza e espiritualidadeTecnologia
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