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Um DOIS

QUAL É O SEU PONTO DE VISTA QUANTO ÀS DISCUSSÕES CONTEMPORÂNEAS SOBRE FUNGOS?

Débora Parrine

por Débora Parrine
24 de julho de 2024
/ Número 6
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O nosso conhecimento sobre o reino dos fungos é limitado e, portanto, rico em oportunidades de novas descobertas. Cientistas estimam que descrevemos apenas um décimo da diversidade fúngica. A grandeza dessa diversidade depende tanto dos diversos ambientes e papéis que eles possuem – como o de decompositores e recicladores de compostos orgânicos – quanto de seus mecanismos biológicos – como as Starships, que são elementos de DNA móveis que moldam o genoma dos fungos durante seu processo evolutivo (1).

 

A forma atual como estudamos a biodiversidade é muito mais avançada do que na época de Carlos Lineu, um dos pais da classificação científica, quando métodos avançados, como sequenciamento de DNA e algoritmos complexos para estudar e definir filogenia, ainda não haviam sido desenvolvidos. A maneira atual é bastante dependente de métodos de laboratório e sequenciamento de DNA. Em poucas palavras, quando coletamos amostras de um solo, por exemplo, extraímos o DNA de todos os seres vivos que vivem ali: plantas, fungos, insetos, bactérias, entre outros. Essa complexa mistura de DNAs é sequenciada por um método estabelecido que utiliza sequências de DNA muito conhecidas. Assim, identificamos uma boa quantidade dos seres presentes naquela amostra.

Algumas linhagens de fungos são comumente identificadas em amostras ambientais, por meio da presença do seu DNA, como é o caso do Clone de Solo Grupo 1. Esse grupo é encontrado em diversos estudos contendo dados de sequenciamento de amostras ambientais. Entretanto, não sabíamos nada sobre a aparência destes fungos, porque eles não haviam sido observados na natureza. A equipe da cientista Anna Rosling conseguiu cultivar um dos membros desse grupo, o Archaeorhizomycete finlayi (2). Ao cultivá-lo, eles descobriram que o fungo cresce em açúcares como fontes de carbono únicas – indicando um comportamento de decompositor –, diferentemente dos resultados gerados por dados de sequenciamento, que sugeriram que o fungo dependia de nutrientes produzidos por raízes de plantas. Essa história mostra a importância de obter informações que vão muito além das sequências de DNA e que são dependentes do cultivo desses espécimes.

Tradicionalmente, quando uma nova espécie é descoberta, estabelece-se seu “tipo”, um espécime que fica então preservado em um museu. Este tipo será sempre atrelado a este espécime de planta ou fungo, por exemplo. Uma das discussões atuais no mundo da nomenclatura fúngica é se sequências de DNA deveriam ser aceitas como novos tipos. Isso significaria mudar regras fundamentais da área, permitindo que dados genéticos sejam usados como referência ao em vez de espécimes. Alguns argumentos importantes contra essa mudança são que os tipos derivados de dados estariam submetidos a diversos erros intrínsecos à técnica de sequenciamento, podendo propiciar novas “falsas” espécies e gerar listas de espécies pobres em informações. É razoável concordar que essa mudança ainda não deve ser implementada, como argumentam dezenas de micólogos renomados (3), pois não solucionaria os atuais problemas da nomenclatura e poderia promover uma enorme confusão de novas espécies que talvez nem existam.

 

Ilustração: Karipola

 

A AUTORA

Foto: Acervo pessoal

Débora Parrine
Débora é tradutora e bióloga, possui mestrado em Biotecnologia pela Universidade de São Paulo e doutorado em Engenharia de Biorrecursos pela Universidade McGill (Canadá). Atualmente mora na Suécia, onde é pesquisadora nas áreas de Evolução e Proteômica na Universidade de Uppsala, e estuda a evolução dos plastídios. É apaixonada por ciência e natureza, mas principalmente pelo seu gato Cenizas.

 

 

FONTES

1. Gluck-Thaler E et al. Giant Starship Elements Mobilize
Accessory Genes in Fungal Genomes. Mol Biol Evol;
39(5):msac109 (2022)

2. Rosling A et al. Archaeorhizomycetes: Unearthing an ancient class of ubiquitous soil fungi. Science 333,
876-879 (2011).

3. Zamora JC et al. Considerations and consequences of allowing DNA sequence data as types of fungal taxa. IMA
FUNGUS 9(1) 167–175 (2018).

Tags: ArchaeorhizomycetesDébora ParrineDiversidade fúngicaFungosNomenclatura fúngicaSequenciamento de DNAumDOIS
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KARINE NARAHARA

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