Ciência se faz com pessoas – e é nelas que focamos. emREDE é um espaço dedicado aos pesquisadores de diferentes áreas e cantos do mundo que respondem à pergunta: “O que te fascina na sua pesquisa?” – revelando as motivações que vão além dos artigos e laboratórios. Mais do que divulgar trabalhos, cultivamos uma comunidade: aproximamos mentes inquietas, criando pontes entre disciplinas e geografias. O resultado? Um mapa vivo do fazer científico, em constante expansão. Nesta edição, os pesquisadores Isabella Ogeda, Janaina Hokoç Fernandes e Luan Santos nos contam o que faz com que se movam em direção a descobertas de novas respostas para problemas que os deixam intrigados.
Janaina Hokoç
Graduanda em Ciências Biológicas
Janaina Hokoç é técnica em Biocombustíveis pelo Instituto Federal da Bahia e estudante do curso de Licenciatura em Ciências Biológicas na Universidade Federal de Viçosa/MG. Atualmente, é estagiária do Laboratório de Evolução de Invertebrados Aquáticos da UFV, pesquisando a biologia reprodutiva de Ophioderma appressum no Atlântico Sul tropical. Além disto, participa como Educadora Ambiental no Grupo de Estudos de Animais Selvagens da UFV.
O QUE TE FASCINA NA SUA PESQUISA?
A minha história com o oceano começou no berço, com meu pai, um pescador tradicional de jangada, e minha mãe, bióloga marinha. Eu nasci na Bahia, em um pequeno vilarejo chamado Cumuruxatiba, onde meus pais trabalhavam com turismo de observação de baleias-jubarte, de julho a outubro. Desde pequena, acompanhei minha mãe nos passeios e, assim, criei uma grande afinidade com o mar. De um lado, ela me falava sobre a conservação dos oceanos e trazia um lado mais científico das coisas, de outro, meu pai sempre mencionava o mar como fonte de sustento e trabalho.
Hoje, em uma universidade federal, trabalhando em uma pesquisa científica, consigo entender a importância das interações oceânicas. Mas não só as interações entre os animais e plantas que vivem lá, e sim a grande importância da nossa interação com o oceano. O mar está lá, seguindo um fluxo constante de marés e ondas que vêm e vão a cada segundo. Um simples mergulho consegue nos ensinar que nada é previsível e que observar e ir com calma é a melhor solução.
Durante um voluntariado no Projeto Coral Vivo, tive a oportunidade de conhecer uma pesquisadora chamada Alessandra Lopes, que posteriormente se tornou uma grande amiga e colega de trabalho. Na época, Alessandra estava fazendo um estágio no projeto, que acabou virando seu trabalho de TCC, sobre o efeito do ferro na gametogênese do Ophioderma appressum. Coincidentemente, quando voltei para a universidade, entrei no laboratório do qual ela faz parte, e foi uma felicidade indescritível. Depois de algum tempo, ela e nossa orientadora, Amanda Cunha, perguntaram se eu tinha interesse em participar de uma pesquisa com essa espécie e se eu tinha disponibilidade para fazer as coletas na base do Projeto Coral Vivo, na Bahia. Sem dúvidas, minha resposta foi positiva e hoje estamos desenvolvendo um lindo trabalho.
Uma das coisas que me fascina nessa pesquisa é poder estar em contato com um animal que esteve presente na minha vida desde a infância, quando minha mãe me levava para andar e observar as poças de maré que ficam expostas nas marés baixas. Além disso, estudar um animal marinho tão pequeno em um lugar onde não há mar é mostrar que, independentemente de onde cada ser humano esteja, o mar está conectado a nós.


