Professor associado do programa de pós-graduação em Ciência da Literatura da UFRJ, vice-coordenador do mesmo programa e bolsista produtividade do CNPq. Foi editor da Revista Terceira Margem de 2014 a 2023 e colunista da revista Cult entre 2021 e 2022. Estuda teoria crítica, literatura e teoria da mídia, contracultura musical e poesia moderna, dando ênfase nas relações entre religião e cultura, encantamento e desencantamento. Publicou o livro Sublime e violência: ensaios sobre poesia brasileira contemporânea, pela Azougue Editorial (Rio de Janeiro), em 2018, e, mais recentemente, Mística e antimística, pela Oca Editora (Lisboa), em 2020.
O QUE TE FASCINA NA SUA PESQUISA?
Minha área é Teoria Literária. Em termos teóricos mais gerais, eu penso sobre como a literatura moderna congrega as tensões entre encantamento e desencantamento do mundo, buscando tentativas de reencantamento. A base desse conflito se dá entre um fundo arcaico de uma relação natural e espiritual com o meio circundante, totalmente imersa num cosmos poético, e uma construção científica e tecnocrática de distinção, segmentação, classificação e dominação da natureza. Tal conflito cria tanto anseios futuristas quanto nostálgicos, propensões conservadoras ou utópicas, dentro das mais diferentes configurações estéticas. As correntes literárias que mais me interessam são as imaginativas, fantasiosas e delirantes, isto é, obras românticas, decadentistas, simbolistas, surrealistas e contraculturais. Coloco, em primeiro plano, a ligação delas com a inefabilidade da música.
Em termos mais precisos de objeto de pesquisa, eu estudo a literatura simbolista brasileira do final do século XIX. Atualmente, estou me concentrando na obra do poeta negro catarinense Cruz e Sousa. Tenho me esmerado, tanto em artigos quanto em sala de aula, na graduação e pós-graduação, em análises cerradas dos poemas dos livros Broquéis e Missal, ambos de 1893.
Logo, o que me fascina nessa pesquisa não é só o fato de lidar com uma produção poética fascinada pelo mistério natural e espiritual do mundo. Eu penso sobre a própria tensão, típica da modernidade, entre fascínio poético e fastio entediante, erotismo cósmico e sociedade administrada, fabulação criativa e padronização opressiva.

