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Entrevista

Maria Esther Maciel

por Humanos
29 de dezembro de 2025
/ Número 9
Maria Esther Maciel

Foto: Iana Domingos

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A

Revista Humanos tem o prazer de apresentar uma entrevista exclusiva com Maria Esther Maciel, poeta, escritora, ensaísta e professora titular da Faculdade de Letras da UFMG, cuja obra transita entre literatura, filosofia e biologia para pensar as relações entre humanos e outros seres do planeta.

Em livros como O animal escrito, literatura e animalidade e Animalidades: Zooliteratura e os limites do humano, Maciel propõe uma virada sensível no modo de compreender o mundo vivo, da literatura “sobre” os animais para uma literatura que pensa com eles, abrindo espaço para imaginar formas de coexistência, escuta e tradução entre espécies.

Nesta conversa, a autora reflete sobre as fronteiras porosas entre o humano e o não humano, a força ética e poética da arte e da literatura na construção de uma sensibilidade interespécies, e o papel dos animais, reais ou simbólicos, na reinvenção do futuro comum da Terra. Em sintonia com o tema desta edição, a entrevista convida à construção de um pensamento que reconhece a vida em sua pluralidade e interdependência.

BIOGRAFIA

Maria Esther Maciel nasceu em Patos de Minas, em 1963. É escritora, ensaísta e professora titular de Literatura Comparada na Faculdade de Letras da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), onde também coordenou o Núcleo de Estudos Latino-Americanos (NELAM) e o Transverso – Fórum de Criação e Estudos Poéticos. Atualmente, atua como professora colaboradora de Teoria Literária na Unicamp.

Graduada em Letras pela UFMG, onde também realizou o mestrado e o doutorado em Estudos Literários, Maciel fez pós-doutorado em Literatura e Cinema na Universidade de Londres e em Literatura Comparada na USP. Foi cronista do Caderno de Cultura do Estado de Minas entre 2011 e 2014, é membro da Academia Mineira de Letras e coordena a Revista Olympio – Literatura e Arte.

Foto: Inês Rabelo

“Pensar e escrever com os animais tornou-se, assim, um ato de compartilhamento que pressupõe uma coexistência interespécies liberta das demarcações hierárquicas e amarras antropocêntricas.”

No seu livro, O animal escrito, você investiga como os animais são representados e reinventados na literatura. Como você percebe a passagem, nos últimos anos, de uma literatura “sobre” os animais para uma literatura que tenta pensar com eles?

Ao percorrer a história “zooliterária” de diferentes tempos e lugares, pude constatar que, pelo menos até a segunda metade do século XIX, os animais estiveram quase sempre circunscritos à esfera dos símbolos e metáforas dos valores humanos, quando não representados como seres desprovidos das faculdades consideradas exclusivas de nossa espécie.
Esse viés antropocêntrico, entretanto, foi aos poucos se arrefecendo com a emergência de um outro olhar dos escritores sobre as alteridades não humanas e as nossas relações com elas. Um olhar que, atento a questões éticas e ecológicas, passou a ver os animais como sujeitos ativos, dotados de sensibilidade, faculdades cognitivas e saberes próprios sobre a vida.
Já nas últimas décadas, com o avanço das catástrofes ambientais, das práticas cada vez mais mercantilizadas de exploração animal e da extinção de várias espécies, essa visada mais conscienciosa se intensificou, levando a literatura a essa tentativa de pensar com os animais. Para viabilizar isso, ficcionistas e poetas se dispuseram a convidar esses “outros mais outros que qualquer outro” (usando, aqui, uma expressão de Derrida) para o território da escrita, acolhendo-os como “eus” complexos, aptos a nos ensinar muitas coisas sobre a vida compartilhada e nos levar ao reconhecimento da animalidade que também nos define.
Pensar e escrever com os animais tornou-se, assim, um ato de compartilhamento que pressupõe uma coexistência interespécies liberta das demarcações hierárquicas e amarras antropocêntricas.

Muitos filósofos e escritores contemporâneos têm questionado a fronteira entre o humano e o não humano. De que modo essa dissolução de fronteiras redefine o que entendemos por humanidade?

Se, ao longo da era moderna, diversos pensadores e escritores reagiram contra a cisão humano/não humano legitimada a partir do triunfo do racionalismo cartesiano no mundo ocidental, hoje não são poucos os que têm colocado em xeque tanto as fronteiras que separam humanidade e animalidade, quanto a pretensa soberania da espécie humana em relação às demais.
Esse movimento filosófico-literário, em consonância com as impressionantes descobertas etológicas sobre as alteridades não humanas, bem como com as preocupações de ordem ética e ecológica que incidem no agora do mundo, tem contribuído, inegavelmente, para a redefinição da própria noção de humanidade à luz das demandas do nosso tempo.
A isso se soma, ainda, a emergência de pensamentos e olhares alternativos sobre o mundo vivo, como o perspectivismo ameríndio e tantos outros saberes advindos de culturas ancestrais, o que torna ainda mais prismática essa dinâmica de dissolução das fronteiras.
Cabe ponderar, contudo, que tal dissolução não implica necessariamente uma rasura das diferenças que existem entre as ordens do vivo. Cada espécie e cada espécime possuem seus próprios graus de complexidade e singularidade, que precisam ser respeitados.
Ainda que muitas das faculdades e habilidades animais possam se confundir com as nossas, ainda que seja viável um convívio interespécies, isso não significa uma invasão dos espaços alheios, uma intrusão na intimidade desses outros. Cabe-nos, na travessia ou na diluição das fronteiras, exercitar também uma ética da diferença, como defendeu o filósofo Mathew Callarco, visto que as alteridades não humanas são irredutíveis às nossas formas de compreensão e aos nossos interesses.
Autores contemporâneos em atividade, como J.M. Coetzee, Yoko Tawada, Vinciane Despret, Olga Tokarczuk e Adriana Lisboa, entre outros, têm mostrado isso por meio da ficção, do ensaio e da poesia, chamando seus leitores a reconhecerem os animais como seus semelhantes e dessemelhantes ao mesmo tempo. Para isso, convoca-nos a olhar para os animais e, se possível, trocar olhares com eles, reconhecendo-os como nossos companheiros de existência que não deixam de possuir seus próprios espaços, saberes e qualidades enquanto viventes.

“… tal dissolução não implica necessariamente uma rasura das diferenças que existem entre as ordens do vivo. Cada espécie e cada espécime possuem seus próprios graus de complexidade e singularidade, que precisam ser respeitados.”

Foto: Iana Domingos

Você costuma relacionar literatura, filosofia e biologia em seus estudos. Como essas áreas podem dialogar para propor uma nova ética de convivência entre espécies?

No decorrer de minhas incursões na esfera zoo, sempre procurei atuar na confluência de vários saberes para lidar com os animais, a animalidade e as relações humanos/não humanos, por considerar que disciplinas como biologia, etologia, filosofia, psicologia e antropologia, entre outras, podem oferecer subsídios relevantes para o enfoque literário das espécies não humanas, em seus limites e liames com a nossa.
Nesse sentido, minha pesquisa pode ser inserida, até certo ponto, no âmbito dos chamados Estudos Animais – um campo transdisciplinar mais ou menos recente, voltado para os múltiplos aspectos que envolvem o mundo zoo.
Esse campo, feito de interseções, possibilita, a quem nele transita, um olhar diversificado sobre as ordens do vivo e as questões que delas emergem, o que, na literatura, se potencializa pelo exercício da imaginação, dos sentidos e dos afetos.
Dentro dessa teia transdisciplinar, um contágio recíproco de saberes se instaura e confere um caráter híbrido ao conjunto, contribuindo para um trabalho mais amplo em prol de uma ética de convivência entre as espécies nestes tempos desafiadores em que vivemos.
Interessante como a própria etologia tem se valido, recentemente, de recursos poético-narrativos em obras resultantes de pesquisas científicas, a exemplo dos livros O que diriam os animais? e Autobiografia de um polvo, da etóloga belga Vinciane Despret, que mistura biologia e ficção literária para descrever peculiaridades comportamentais, cognitivas, linguísticas e artísticas de bichos de diferentes tipos e linhagens.
São livros que mostram, por vias oblíquas, não apenas o quanto a literatura e as artes contribuem para a descoberta de outras modalidades de conhecimento sobre a vida ao redor, como também o quanto a natureza é pródiga em espécies e indivíduos não humanos que surpreendem a nossa própria imaginação.

A arte tem o poder de expressar o que é silenciado. Que papel você atribui à arte e à literatura na construção de uma sensibilidade ecológica e interespécies?

Sim, os artistas e escritores, ao trazerem à tona o que se esconde nas dobras da realidade transparente e dizerem o que é silenciado, levam-nos a uma compreensão mais intrínseca da complexidade do mundo vivo pelo viés da sensibilidade e da lucidez crítica. Isso, porque eles se dão a tarefa de apreender as demais existências também pelo coração.
Ainda que as artes e a literatura não ofereçam respostas prontas para as questões em torno das nossas controversas relações com as demais espécies, nem se arrogam a oferecer soluções definitivas aos problemas ecológicos que assolam o planeta, elas são capazes de provocar reflexões éticas e iniciativas práticas em prol da sobrevivência do mundo e dos seres que o habitam.
Como afirmou o líder indígena Ailton Krenak, se o capitalismo, em estado de metástase, “ocupou o planeta inteiro e se infiltrou na vida de maneira incontrolável”, resta-nos “manter acesas nossas visões e poéticas sobre a existência”, como antídotos à enfermidade do planeta.

A ideia de “animalidade” também atravessa as tecnologias, desde as inteligências artificiais, que imitam comportamentos biológicos, até os experimentos de bioarte. Como você enxerga essas novas formas de “vida” ou de simulação da vida?

Ainda não me detive com cuidado nessa virada tecnológica e suas reverberações no território da animalidade, mas confesso a minha inquietação diante desses experimentos que promovem a artificialização dos comportamentos biológicos e a robotização da vida. O que pode advir disso para o futuro dos animais e dos próprios humanos? Não sei.
No caso da bioarte, penso que o controverso uso de animais vivos em instalações, performances e obras de arte contemporâneas, mesmo com propósitos crítico-criativos, reedita, por outros vieses, certas práticas que incidiram ostensivamente, a partir do século XVIII, nos zoológicos, circos e feiras de curiosidades da Europa e de outras paragens.
Considero também que as intervenções genéticas no corpo animal, com finalidades artísticas, não deixam de estetizar os experimentos de laboratório feitos em nome do avanço da medicina e da indústria farmacêutica. São manipulações que mudam estruturalmente o organismo desses viventes e violam sua intimidade, causando-lhes danos físicos e psíquicos. Mesmo que esses artistas assegurem o bem-estar dos animais, o próprio ato de manipular um corpo que pulsa acaba por reduzi-lo à condição de objeto.

Ao pensar em futuro e sobrevivência, o que os animais ainda têm a nos ensinar sobre adaptação, solidariedade e limites da vida humana no planeta?

Se considerarmos que não apenas os animais, mas também a humanidade, correm sérios riscos de extinção sob o impacto dos revezes climáticos, uma atitude ética, política e ecológica perante esse quadro se torna imprescindível. E acredito que possamos aprender muito com os sujeitos não humanos para enfrentar essa ameaça cada vez mais premente.
É impressionante como eles se adaptam às situações mais adversas e desafiam, com seu despretensioso estar no mundo, as forças que insistem em detê-los e drenar o seu vigor em nome da supremacia humana. Eles são resilientes, agem de acordo com seus sentidos, participam ativamente – por vezes, como maestros – daquilo que o músico e naturalista Bernie Krause chamou de “a grande orquestra da natureza”. Além disso, fazem do presente o seu tempo, vivem no aqui e no agora do mundo.
Às vezes eu me pergunto até que ponto os bichos nos questionam com sua razão distinta da nossa, o que eles pensam sobre nossas fragilidades e gostariam de nos ensinar em termos de sobrevivência e solidariedade. Não tenho dúvidas de que eles têm um ponto de vista sobre a humanidade, como mostra o boi do poema “Um boi vê os homens”, de Carlos Drummond de Andrade, com o seu olhar atento e vigilante sobre a espécie humana.
Talvez, possamos aprender com os animais a nos mover lucidamente pelos instintos. Isso, se considerarmos o instinto, em contraponto à razão, como um sentido marcado pela visceralidade, que molda um modo de pensar que se inscreve num logos paradoxalmente não racional, que desafia e desestabiliza o conceito antropocêntrico de razão.

“… os artistas e escritores, ao trazerem à tona o que se esconde nas dobras da realidade transparente e dizerem o que é silenciado, levam-nos a uma compreensão mais intrínseca da complexidade do mundo vivo pelo viés da sensibilidade e da lucidez crítica.”

OBRAS DA AUTORA

LITERATURA E ANIMALIDADE
O primeiro livro publicado no Brasil sobre a relação entre literatura e animalidade.
A abordagem se fundamenta em trabalhos que renovaram e ampliaram o horizonte da discussão sobre o animal na atualidade, a partir de filósofos (entre outros, Michel de Montaigne, Jacques Derrida, Gilles Deleuze e Giorgio Agamben) e escritores (como Franz Kafka, Jorge Luis Borges, J. M. Coetzee). Este volume se encerra com uma importante entrevista do filósofo e etólogo francês Dominique Lestel. Literatura e animalidade faz parte da Coleção Contemporânea, que se propõe a tratar de temas atuais nas áreas de Filosofia, Literatura & Artes. O enfoque principal é o de um pensamento original, em linguagem acessível, mas preservando a profundidade e rigor da reflexão.

ESSA COISA VIVA
Semifinalista do Prêmio Oceanos 2025.
Quando completa um ano da morte de sua mãe, que vivia no interior de Minas Gerais, uma botânica de renome internacional resolve pôr os pingos nos “is” de uma relação permanentemente marcada pela instabilidade, pela culpa e pelo rancor. Neste romance poderoso, a autora parte das “coisas” – plantas, objetos, insetos – para reconstruir o passado da protagonista. A mãe, centro das rememorações, foi uma mulher a um só tempo vítima de seu tempo e algoz da própria filha. Uma mulher que alardeava a própria infelicidade e que parecia não desejar a satisfação alheia – especialmente da filha, por quem nutria uma obsessão feita de reproches, cobranças, destruição da autoestima e desejos obscuros.

O LIVRO DE ZENÓBIA
Logos de palavras e de sensações são a marca de O livro de Zenóbia, primeira obra de ficção de Maria Esther Maciel. Narrativa poética sobre a vida, os pensamentos e as emoções de Zenóbia, o livro tem passagens de intenso lirismo, delicadeza e humor sutil. A subjetividade oblíqua está presente nas descrições da vida amorosa e familiar da personagem, suas recordações da infância, receitas culinárias, listas de flores prediletas, livros de cabeceira e outros exercícios de classificação. Distante do realismo psicológico tradicional, o enredo é dinâmico, em capítulos breves, com influência das técnicas do cinema, em flashes de sensorialismo (“um ramo de folhas secas, um anjo indeciso de gesso e um livro laranja, quase vermelho”). Retrato de uma mulher do interior em sua existência rotineira, O livro de Zenóbia é uma incursão no universo feminino, uma investigação inteligente da sensibilidade, um questionamento dos limites entre realidade e ficção, vivência e imaginário.

ANIMALIDADES
Zooliteratura e os Limites do Humano
Quem convive com animais decerto já tentou imaginar o que eles sentem ou pensam. Se você fez isso, saiba que não está só.
Na literatura ocidental, não foram poucos os escritores que atribuíram emoções e pensamentos aos animais. O registro mais antigo remonta à Odisseia de Homero, em que o cão Argos reconhece Ulisses após 20 anos e só então morre diante do herói. Alguns contemporâneos foram mais além: conferiram voz particular e espaço narrativo a seres não humanos. Um exemplo recente é Yoko Tawada, que buscou ocupar a interioridade de ursos-polares para depois “traduzi-la” em linguagem humana.
No extenso intervalo entre esses dois autores, outros escritores ousaram dar protagonismo a animais a fim de abordar questões não humanas num mundo dominado por humanos, como Virginia Woolf e Franz Kafka. E, na literatura brasileira, temos Graciliano Ramos, com a cachorra Baleia, de Vidas secas, e Machado de Assis, cujo personagem canino Quincas Borba se confunde com o humano homônimo no romance de mesmo nome, além de Guimarães Rosa, Drummond e Clarice, com suas obras que trazem bois, cavalos, búfalos e baratas como personagens.
Maria Esther Maciel, uma das maiores autoridades no tema, além de escritora que transita entre ficção e não ficção, retoma a relação entre literatura e animalidade nesta abrangente análise de obras clássicas e contemporâneas, nacionais e estrangeiras, com o intuito de ampliar as reflexões sobre a questão dos animais e lançar luz sobre nossa interação com eles, sem deixar de enfatizar poéticas e políticas da natureza do século XXI.

Tags: AutoraBiologiaEscritoraFilosofiaLiteraturaMaria Esther MacielZooliteratura
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