Mestranda do PPG Cine-UFF e graduada em Cinema e Audiovisual pela mesma instituição. Pesquisa cinemas de rua e práticas de sociabilidade. Trabalha com direção, montagem e fotografia. Seus projetos autorais transitam entre a fotografia e a videoarte, explorando suportes analógicos e digitais. Destacam-se os trabalhos Ensaio Sobre a Insegurança (Festival do Minuto/2020); Katarina Assef – Artists Awards (Rootstock Music Festival/2022); e Como nascem as farmácias (Festival Ecrã/2024 e Mostra SESC de Cinema/2024).
O QUE TE FASCINA NA SUA PESQUISA?
Minha pesquisa é um estudo de caso sobre o Grupo Estação, empresa carioca de exibição e distribuição cinematográfica com quarenta anos de atuação no mercado. Seguindo os trilhos de minha orientadora, Talitha Ferraz, penso o cinema como um espaço de encontro, isto é, uma parte integrante de um contínuo processo de agenciamento, no qual as pessoas, as imagens, os sons, os cheiros, a arquitetura, as comidas, os rituais, as memórias etc., se enredam em uma produção compartilhada de sentidos. Assim, adotei uma rotina de idas a campo – ou melhor, idas aos cinemas do Estação –, de forma a coletar dados qualitativos por meio da observação participante e de entrevistas semiestruturadas. Meu objetivo é compreender como as sociabilidades construídas nos cinemas do Estação se configuram como experiências compartilhadas. O que me fascina é perceber que o encontro não é apenas um conceito teórico, mas um método de pesquisa. Acredito que estou de fato criando situações de encontro nas idas à campo, ao estabelecer uma relação – ainda que breve – com pessoas que até então eu não conhecia. Muitas vezes, essas situações emergem espontaneamente, “me encontrando” no percurso e me conduzindo por caminhos inesperados. Por isso, procuro me manter disponível às alteridades, às surpresas, às múltiplas formas de lembrar, perceber e se relacionar com o cinema.

