Édoutor, mestre e bacharel em Filosofia pela PUCRS. Atualmente, é pesquisador-estagiário de pós-doutorado pelo Programa Pós-Graduação de Comunicação e Cultura da UFRJ, com bolsa da FAPERJ pelo programa Pós-doutorado Nota 10, e desenvolve pesquisa sobre o pensamento do filósofo Antonio Negri. É membro dos grupos de pesquisa Laboratório Território e Comunicação (LABTeC) e da Rede Universidade Nômade Brasil e, com Giuseppe Cocco, ministra a Cátedra “Aceleração Algorítmica, Democracia e Trabalho” pelo Colégio Brasileiro de Altos Estudos da UFRJ (CBAE), onde pesquisam sobre a crise da globalização e da democracia contemporânea.
O QUE TE FASCINA NA SUA PESQUISA?
Por mais paradoxal que pareça, nós, pesquisadores, raramente temos a oportunidade de fazer esse tipo de reflexão. Tenho, então, duas respostas: uma diz respeito à pesquisa atual, o lugar para o qual ela me levou, e a outra à sua trajetória, que já soma mais de dez anos.
Comecemos, do avesso, pela trajetória. Essa fascinação nasce da minha relação ambígua com a filosofia, em uma luta quase solitária contra uma arquitetura que parecia justificar o que sempre me incomodou: os dogmatismos religiosos, econômicos, morais e políticos. Contra essa filosofia dos mestres, encontrei alguns aliados, como Nietzsche, Deleuze, Guattari, Espinosa, Negri e Marx, que me levaram a compreender a filosofia como exercício de liberdade, não como um saber reservado, mas como um método comum, apropriável pelos “qualquer um”: pobres, operários, precarizados, todos aqueles que lutam cotidianamente por sua liberdade.
A segunda resposta aponta menos para o passado que para o futuro: um futuro aberto, difuso e ainda em constituição. Minha pesquisa atual sobre o pensamento de Antonio Negri, um dos meus mentores intelectuais, e sua relação com o Brasil, a América Latina e o chamado Sul Global, busca recuperar o legado dos ciclos de luta da alterglobalização, da Primavera Árabe a Seattle, do Occupy Wall Street a Maidan e, sobretudo, de Junho de 2013 no Brasil, quando uma multidão metropolitana, sem compromissos com o poder instituído, tomou as ruas e se inscreveu no horizonte das lutas democráticas globais. É nesse fio que se desenvolve a segunda etapa da pesquisa: ler, na crise da globalização e da democracia, as linhas possíveis para sua reinvenção

