Bibliotecária formada pela UNIRIO, especialista em Comunicação em Mídias Digitais pela Estácio de Sá, mestre e doutoranda em Ciência da Informação pelo convênio IBICT/ECO-UFRJ. Atualmente, é bolsista do Programa de Excelência Acadêmica (PROEX), da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). Atua como pesquisadora no grupo Teologia Cristã e Religião Contemporânea (TCRC), vinculado ao Laboratório de Política, Comportamento e Mídia da Fundação São Paulo (LABÔ/PUC-SP). É autora do livro Nas garras da mentira: fake news e as eleições presidenciais no Brasil.
O QUE TE FASCINA NA SUA PESQUISA?
Minha trajetória de pesquisa teve início na graduação em Biblioteconomia (2007–2013), quando comecei a observar os impactos das mídias sociais no cotidiano das pessoas, especialmente enquanto ferramentas sociotécnicas que transformaram profundamente o acesso à informação e sua circulação. No mestrado (2017-2019), com os efeitos globais das fake news já evidentes – como nos casos da eleição nos Estados Unidos (2016) e do referendo do Brexit –, direcionei meu foco para o ecossistema da desinformação nas eleições presidenciais brasileiras de 2018. Analisei as fake news mais compartilhadas durante o pleito e constatei que muitas pessoas continuaram acreditando em informações falsas, mesmo após sua refutação. A pesquisa revelou uma dificuldade generalizada em reconhecer conteúdos informacionais de qualidade, bem como a forte influência do viés político-ideológico nas crenças individuais. Surpreendentemente, a escolaridade superior não impediu a adesão a conteúdos falsos. No doutorado, sigo investigando a desinformação na comunicação política, com atenção especial à dimensão religiosa, que se apresenta como um dos pilares ideológicos do bolsonarismo. Nesse contexto, analiso como discursos cristãos fundamentalistas têm sido instrumentalizados com fins políticos, alimentando uma guerra cultural contra o chamado “comunismo”. Meu interesse central é compreender como a informação – verdadeira ou falsa, de qualidade ou não – tem se tornado um insumo poderoso nas disputas políticas e nos conflitos sociais contemporâneos.

